Pesquisa mostra que comparação com redes, rotina acelerada e imposição de padrões estéticos ajudam a explicar por que quase todas as jovens já pensaram em mudar o próprio corpo.
93% das jovens entre 18 e 24 anos já tiveram vontade de realizar algum procedimento estético ou cirurgia plástica. O dado, por si só, expõe a força da pressão estética sobre essa geração — alimentada pela comparação constante nas redes sociais, pela imposição de padrões irreais e por uma rotina marcada por sobrecarga e sensação de atraso.
O número faz parte da pesquisa “Tudo no Seu Tempo”, realizada pela companhia de beleza État Pur em parceria com o Instituto Plano de Menina. O estudo ouviu meninas e jovens mulheres entre 14 e 30 anos entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. A maioria é formada por estudantes ou jovens em início de carreira, muitas conciliando trabalho, estudo e tarefas domésticas.
Redes sociais e autoestima
Entre as principais causas do desejo por mudanças estéticas está o ambiente digital. A pesquisa mostra que 57% passam três horas ou mais por dia conectadas e 69% acreditam que ficam tempo demais nas redes. Nesse cenário, 71% admitem se comparar com frequência — ou o tempo todo — com o que veem nas telas.
O impacto é direto na forma como se enxergam:
Ao todo, 66% já mudaram hábitos, comportamentos ou até objetivos de vida por influência do conteúdo consumido online.
Corpo como resposta à pressão
O estudo aponta que, diante da cobrança por performance e perfeição, o corpo acaba se tornando um “território” onde muitas tentam resolver inseguranças emocionais e pressões externas. Nesse contexto, procedimentos estéticos passam a ser vistos como solução rápida.
Entre os mais citados estão rinoplastia (22%), próteses de silicone (19%) e lipoaspiração (15%). A normalização dessas intervenções ajuda a explicar por que 93% já cogitaram alterar o próprio corpo.
Sensação de estar ‘atrasada’
A pressão não vem apenas da estética. A rotina intensa também contribui para a vulnerabilidade emocional. Para 67%, o cotidiano é corrido. Quase metade (49%) afirma sentir frequentemente ou sempre que está “atrasada” em relação aos próprios objetivos ou às expectativas externas.
O impacto aparece também no autocuidado: 56% dizem que só às vezes conseguem reservar tempo para si, enquanto 14% raramente ou nunca têm esse espaço.
Autoestima, ansiedade e contradições
Quando o tema é autoestima, 55% classificam a própria percepção como mediana, e 17% como baixa ou muito baixa. Ansiedade (52%) e pressão (25%) são os principais fatores que influenciam essa avaliação.
Embora 88% descrevam a saúde mental como boa ou muito boa, os dados revelam tensão: 42% sentem ansiedade semanalmente e 22% diariamente. O material ainda traz um recorte sobre meninas em contextos de vulnerabilidade social, que enfrentam uma dupla pressão: padrões de beleza irreais e limitações estruturais de acesso a descanso e apoio emocional.
Mercado e proposta de mudança
A pesquisa também dialoga com o mercado de beleza. A État Pur busca questionar promessas milagrosas que reforçam a ideia de correção constante. A partir dos resultados, a iniciativa “Tudo no Seu Tempo” vai implementar workshops online para cerca de 250 meninas, produção de conteúdos educativos e campanhas de arrecadação de livros.
A proposta é transformar os dados em ações concretas de fortalecimento emocional e social, ampliando o debate sobre o direito de cada jovem viver no próprio ritmo.