O crescimento acelerado do uso de inteligência artificial na produção de conteúdo político não se traduz, necessariamente, em maior alcance eleitoral. A distribuição pelas redes sociais segue como fator decisivo para o impacto do conteúdo político.
Dados inéditos sobre a performance de vídeos rotulados como produzidos por IA durante as eleições.
O fator determinante para o impacto de um conteúdo político continua sendo a distribuição pelas plataformas de redes sociais — e não a capacidade de criação oferecida pelas ferramentas de inteligência artificial.
Foi apresentado um levantamento realizado com base nas duas últimas semanas de julho, no qual foram contabilizados 6.022 vídeos produzidos com o rótulo “produzido por IA” por políticos de todos os níveis eleitorais. Esse número representa um crescimento de dez vezes em apenas um mês, já que no período anterior o total era de aproximadamente 600 vídeos.
Apesar do volume expressivo, os dados de engajamento contam uma história diferente. Ao excluir os dez vídeos de grandes candidatos do total, os 6.012 vídeos restantes acumularam apenas 117 interações. Evidenciando que a criação por IA, por si só, não garante visibilidade.
A distribuição continua sendo o nome do jogo, e esta está nas mãos das plataformas (Big Techs), não nos produtores de IA. A discussão principal do momento deve ser a regulação dessas grandes empresas de tecnologia.
O número de vídeos marcados como produzidos por inteligência artificial cresceu de forma abrupta, passando de algumas centenas para milhares em apenas um mês. Apesar desse aumento, o engajamento permaneceu extremamente baixo, indicando que a tecnologia, por si só, não garante alcance ou impacto. A distribuição do conteúdo continua dependendo dos algoritmos das plataformas, que determinam quem realmente vê o que é publicado. Diante desse cenário, cresce a percepção de que é necessário discutir regras mais claras para o funcionamento dessas empresas, especialmente quando o uso de novas tecnologias pode influenciar processos sensíveis como o eleitoral.